quarta-feira, 8 de agosto de 2012

tijolos e um pouco de cimento

Parece que o tempo está passando tão rápido que não tem como controlá-lo. Passo o dia no Santa e o tempo voa. Parece que não tem tempo suficiente pra ver meus amigos o quanto eu queria, pra conversar sobre tudo que eu gostaria, pra rir o quanto eu desejaria. Catorze dias contados. Semanas intensamente programadas pra dar tempo de fazer as malas, de ver todos os amigos que eu quero ver, curtir um momento de "até logo". Porque não são despedidas, nem adeuses.
Meu tempo está contado. Hoje faltam exatamente duas semanas pra minha partida. E eu não sei... Só não sei... Porque tem uma parte de mim que quer ficar. A parte bem brasileira.
A parte de mim que gosta de um quarto só pra mim, no qual posso madrugar sem me preocupar em acordar alguém.
A parte de mim que adora deitar na minha cama e ficar encarando o mapa múndi na minha parede, sonhando com o dia ele que ele estará repleto de tachinhas verdes.
A parte de mim que adora o barulho que a Lolly, minha adorável tartaruga, faz quando nada e que, às vezes, me impede de dormir.
A parte de mim que adora ouvir álbuns de MPB no carro dos meus pais e cantar junto com a minha mãe e com a minha irmã.
A parte de mim que adora o frio brasileiro inexistente e o sol quente que dá pra sentir na pele.
A parte de mim que adora festas brasileiras, com as pessoas falando alto e rindo mais alto ainda.
A parte de mim que adora os almoços e jantares de infindáveis comemorações na casa dos meus avós (hmmmm, bacalhau e arroz cor-da-pele).
A parte de mim que adora passar a tarde no Santa Cruz, sem fazer nada além de deitar na grama ou sentar nas mesas de piquenique, ouvir um amigo tocar violão e conversar sem papas na língua.
A parte de mim que adora se expressar poeticamente, que gosta de pensar, de discutir e, acima de tudo, aprender. Mas tudo isso na língua que eu domino: o Português, bela língua materna.
A verdade é que essa parte de mim é muito forte. E é óbvio que essa parte não vai morrer. Ela vai continuar vivinha dentro de mim, porque essa aqui é minha terra. Meus amigos, eu sei quem são. Minha família, eterna.
E eu já me convenci de que não vou perder nada. Meus amigos costumam dizer "você vai perder o terceirão" ou "você vai perder a formatura" ou ainda "você vai perder a viagem pra Porto!", e aí eu digo: eu não vou perder coisa nenhuma. Eu só não vou viver essas coisas aqui, como eu sempre esperei que fosse. Vou viver outras coisas. Tão diferentes que eu não consigo nem imaginar. Vou passar por situações que eu nunca passaria aqui. E não vou perder porque, além de tudo, não se dá pra perder algo que você nunca teve.

Os tijolos estão sendo colocados um em cima do outro. Parece que as coisas estão realmente se erguendo diante de mim. Recebi um e-mail hoje. Estarei morando em Musala, a residência no lado muçulmano de Mostar, pelos próximos 10 meses, no segundo andar, no quarto número 4, com uma bósnia e uma tcheca.


Agora você já sabe onde me achar. (?)

Nenhum comentário: