quarta-feira, 19 de setembro de 2012

depois do check-in e os três S's

Acabei de ter um daqueles momentos que eu sei que vou guardar por talvez toda a minha vida. São pequenos momentos assim, no UWC, dos quais eu quero me lembrar.
O check-in no UWCiM é basicamente o momento em que a Alisa, house mom de Musala, passa em todos os quartos checando se estamos todos aqui. E também é o momento em que os homens ficam no ground floor e nós, mulheres, no first e second floors. A separação só acontece de fato porque...hm... não é muito explicável, mas digamos que não há uma conexão direta entre o first floor e o ground floor: é necessário sair da casa pra ir pro ground floor e vice-versa. Por isso, depois do check-in, a gente não vê mais os homens, e isso pode até ser uma coisa positiva quando duas das suas amigas mais próximas passam a maior parte do tempo com os namorados.
Expliquei tudo isso só pra contar que acabei de voltar do quarto da Bo. Sentei na cama dela por pelo menos duas horas e ficamos só conversando e dando muita risada. O incrível da Bo é que a gente pode conversar sobre absolutamente qualquer coisa: desde os nossos planos de ir pra Montenegro durante nossa Project Week, o quão péssima nossa professora de Matemática é, sobre as nossas famílias, sobre esportes, sobre o impacto das diferentes culturas ("Você também sente que a cultura daqui é completamente diferente da do seu país?", ela me perguntou hoje), até o namorado dela, Ali. O Ali é o nosso segundo ano do Paquistão. Ele não só é uma pessoa fofíssima (ele realmente é fofo, não no sentido de gordo... e dá muita vontade de apertar ele), como também é um cara super ativo nas atividades da escola: ele é Student Representative, líder do Debate Club, membro ativo da MUN e coisas assim. O Ali e a Bo são o casal mais fofo de todos. Eu conto isso aqui porque a energia deles é tão boa que sempre me deixa muito feliz ver eles juntos e me deixa mais feliz ainda ver a Bo sorrindo por aí depois de passar tempo com ele. Eu vejo a Bo dando risada toda apaixonada e, de repente, eu fico toda saltitante e alegre. Acho que a Bo me lembra um pouco de casa. Ela é uma pessoa tão boa...
Sentar e conversar com ela é uma das melhores coisas que eu faço por aqui. Pode parecer estúpido, mas são momentos muito bons. "Nós fazemos um time muito bom", como ela gosta de dizer. E acho que a gente poderia ter virado a noite conversando se não fosse pela Hana, a rommie da Bo, que precisava muito dormir e não estava conseguindo por causa das nossas risadas.
Isso me lembra que eu estou completamente falhando em um dos S's. Os Três S's são Socialize, Study e Sleep. Óbvio que eu não estou (e, admitemos, nunca estive) tendo muito sucesso com o último deles, que é o que eu estou, supostamente, falhando. Digamos que também estou falhando o segundo, porque não fiz nada até agora (tenho muita dó de todos os meus co-years que tem Chemistry e/ou Psychology, pois eles tem prova amanhã).
Hoje (ontem?), Lushik (Egito) estava falando sobre como Musala era confortável (ela está em Susac) e como seria impossível estudar ao invés de sentar na frente da residência e ficar socializando. Daí ela me perguntou "Onde você estuda aqui?" e tudo que eu pude fazer foi rir.

terça-feira, 18 de setembro de 2012

improvisando a vida


A vida é feita de coisas complexas. A vida é feita por um homem sentado na sua poltrona, com sua boina, debaixo de um cobertor vermelho. A vida é feita por esse homem, que tem um cesto com pelo menos 50 pijamas e um armário com pelo menos 20 calculadoras diferentes. Esse homem que não ouve e, quando fala, fala sempre a mesma coisa. Será que ele vive? Será que ele ainda quer estar aqui?
A televisão permanece ligada durante todo dia, mas o senhor encosta-se à poltrona e dorme. Dorme como se o dia  de amanhã não existisse. Afinal, o que são dias? O que são noites, meses, anos? Será que ele tem 70, 80 ou 92 anos? Nem ele sabe. E a impressão que as pessoas ao redor dele têm é que nem a Morte sabe.
Improvisando uma cena num porão que cheira a suor e cansaço. Uma cena de uma casa de idosos. Um personagem tem que morrer. Mas não dá tempo, porque o próprio tempo se acabou. E nem o tempo sabe. Nem o senhor sabe. E a Morte não sabe... mas a Primavera chegou.

sexta-feira, 14 de setembro de 2012

debate club, finalmente Bósnia-Herzegovina! e (tentativa de) brigadeiro

Tanta coisa acontecendo! O dia aqui passa como se fosse um mês inteiro. No final do dia, parece que eu fiz mais coisa do que eu teria feito em uma semana em São Paulo.
Ontem, começou o CAS chamado Debate. Não tem nenhum segredo, o nome é autoexplicativo: é um espaço em que a gente discute formalmente determinados tópicos, no modelo do Parlamento Britânico, e tem a oportunidade de treinar a fala em público, entre muitas outras coisas. A melhor parte é que os três líderes do CAS são muitos legais: Ali (Paquistão; namorado da Bo), Jacob (Alemanha) e Anna (Holanda).
A primeira sessão foi muito boa! Foi hilária, na verdade. Primeiro porque o tópico era "Pirates are cooler than Ninjas!". Eu e Yuval (Israel) éramos o time da oposição e Lukas (Alemanha) e Anita (Noruega) eram o time da proposição. A melhor coisa foi que a brasileira e o israelita CONSEGUIRAM ser menos escandalosos e exagerados que um alemão e uma norueguesa!! No final, eles ganharam, porque, afinal de contas, piratas são mesmo muito mais legais do que ninjas... Mas o melhor argumento de todos era o nosso, de que os filmes sobre piratas são tão ruins (?) que eles precisam contratar só atores bonitos (cof cof Johnny  Depp). Enfim, acho que participar do Debate Club vai ser muito interessante. E é bom não o ter como core CAS, porque eu vou aparecer só quando estiver entusiasmada e com vontade de me expressar.
Hoje finalmente tive a oportunidade de vivenciar uma das coisas que eu mais quero vivenciar aqui: o Marko (2nd year local), o Jacob e o Ali (sim, sempre eles) organizaram uma discussão sobre o conflito e a divisão étnica da Bósnia-Herzegovina. Foi simplesmente sensacional. E na verdade acho que não foi tão boa quanto poderia ter sido, mas eu gostei muito. Não aprendi tanta coisa nova, na verdade, mas é completamente diferente ouvir opiniões pessoais e realmente ouvir tudo aquilo que eu li sair da boca de pessoas que eu conheço. Me senti tão confortável ouvindo tudo aquilo...
Preciso contar um pouco sobre a discussão, porque ela foi interessante demais... As pessoas que mais falaram foram o próprio Marko, Damir, Dino, Ajsa, Amina e Sejla. Com a exceção do Marko, que é sérvio, os outros são bosniaks. Mas essa foi uma coisa muito discutida: até onde a etnia interfere na nacionalidade? Porque uma das coisas mais curiosas daqui é que, de um lado do rio, as lojas tem a bandeira da BiH, e do outro lado, a bandeira da Croácia. Quer dizer, qual é o sentido? Além do mais, por que aqui todo mundo automaticamente relaciona a etnica das pessoas com a religião? Sérvios são ortodoxos, Bosniaks são muçulmanos e Croatas são católicos. Não. Por que um croata não pode ser budista ou espirita ou qualquer coisa que ele quiser? E antes que você discorde de mim, não é como se eles não pudessem, porque eles podem. A questão é como as pessoas automaticamente assumem que um bosniak é muçulmano. Mas a Sejla, o Damir e o Dino falaram coisas sensacionais: eles não se dizem bosniaks, se dizer bósnios-herzegovinos; afinal, é o país onde eles nasceram. E eles direcionaram uma pergunta pros internacionais: "quando vocês ouvem alguém dizer que é croata ou sérvio, onde vocês acham que eles nasceram?" e todos nós, internacionais (éramos vários), respondemos que achamos que eles nasceram na Croácia e na Sérvia, respectivamente. Uma coisa curiosa é que, o Marko, por exemplo, não soube explicar o por que de ele ser sérvio. Durante a educação dele, os pais disseram pra ele que o bisavô dele era sérvio (sendo que o cara era, em termos de nacionalidade, macedônio) e que, por tanto, ele também era sérvio. E assim ficou.
Mas o Marko levantou um ponto muito forte. Que a questão não é simplesmente esquecer as etnias. As diferenças tem que ser aplaudidas, porque as etnias são, sim, diferentes (pra ser honesta, eu não vejo muito isso, mas eles dizem, então...). Que a questão é acabar com o preconceito e com a rivalidade histórica. E ele questionou todos nós sobre quanto tempo isso vai levar. Na minha humilde opinião, vai levar muito tempo.
A Sejla contou uma história muito interessante. Mostar tem duas rodoviárias, uma de cada lado do Neretva. Quando o ônibus vem da cidade dela pra Mostar, ele para primeiro na rodoviária do lado bosniak e o motorista do ônibus fala "quem vai para o outro lado, fique no ônibus". A Sejla falou que tem vontade de matar o cara, porque, segundo ela, não existe tal coisa como "outro lado", só "outra estação".
Na opinião de Damir (ele fala espanhol, caramba, adoro ele! infelizmente, ele aprendeu espanhol vendo novelas mexicanas, mas a gente ignora isso), a grande onda de nacionalismo e a grande divisão entre as etnias aconteceu quando Tito morreu, nos anos 80. Ele comprovou a teoria dele com alguns fatos que eu não lembro agora, mas vou procurar entender mais sobre isso.

Bom, hoje era aniversário da Cristina (Austria). Óbvio que eu e Toam fizemos uma super comemoração com ela à meia noite e também mimamos muito ela (eu até paguei um sorvete!), mas eu queria fazer uma coisa brasileira pra ela. Eu já estava querendo fazer brigadeiro a algum tempo, e apareceu a oportunidade! Só que, pra minha decepção e tristeza, não tem leite condensado à venda em nenhum mercado de Mostar (acredita, eu procurei muito). Então eu tinha que fazer um leite condensado caseiro. Saí às 21h com Marija pra comprar leite em pó e os outros ingredientes num mercado na Old Town, com um vento insuportável e uma chuvinha típica do verão paulista. Quando voltei, bati na porta da Alisa (house mum) pra pedir o liquidificador dela. Mas ela não tinha. Porque meus queridos terceiros anos (que eu nem conheço) foram fofíssimos e fizeram o favor de quebrar o liquidificador dela no ano passado. Daí eu já estava desistindo, mas a Markéta e o Filip insistiram muito... Eu resolvi bater na mão mesmo, só que o leite condensado ficou... líquido. Demais. Consistência nem um pouco certa... Mas eu não desisti e levei ao fogo com manteiga e chocolate. Fiquei horas mexendo o maldito "brigadeiro" e no final continuou líquido e sem gosto de brigadeiro. Mas as pessoas gostaram bastante (na verdade a Cristina não pareceu gostar muito, mas beleza...). Imagina o quanto elas vão gostar do verdadeiro: meus pais vão trazer leite condensado e chocolate do padre pra mim!

PS: A Arela (Albânia) me contou que Caminho das Índias, a novela da Globo, passa num canal de TV aberta no país dela...
PS2: Essa chuva é igualzinha à chuva de verão paulista e isso me dá saudade da minha terrinha... Assim como o cheiro do leite condensado...

quarta-feira, 12 de setembro de 2012

um pouco de poesia em Aleksa

"Sentir tudo de todas as maneiras,
Viver tudo de todos os lados,
Ser a mesma coisa de todos os modos possíveis ao mesmo tempo,
Realizar em si toda a humanidade de todos os momentos
Num só momento difuso, profuso, completo e longínquo.
Eu quero ser sempre aquilo com quem simpatizo,
Eu torno-me sempre, mais tarde ou mais cedo,
Aquilo com quem simpatizo, seja uma pedra ou uma ânsia, 
Seja uma flor ou uma idéia abstrata,
Seja uma multidão ou um modo de compreender Deus. 
E eu simpatizo com tudo, vivo de tudo em tudo.
São-me simpáticos os homens superiores porque são superiores,
E são-me simpáticos os homens inferiores porque são superiores também,
Porque ser inferior é diferente de ser superior,
E por isso é uma superioridade a certos momentos de visão.
Simpatizo com alguns homens pelas suas qualidades de caráter,
E simpatizo com outros pela sua falta dessas qualidades,
E com outros ainda simpatizo por simpatizar com eles,
E há momentos absolutamente orgânicos em que esses são todos os homens."
- Álvaro de Campos 
"Passagem das Horas"

terça-feira, 11 de setembro de 2012

finalmente CASes! e cotidiano

Basicamente, todos os colégios com IB, especialmente os UWCs, tem várias dessas atividades chamadas CASes, que são como "extra-curriculares". CAS = Creativity (Creatividade), Action (Ação) e Service (Serviço). Para se obter o IB Diploma, é necessário ter 3 core CASes (o que significa ter três atividades, uma de cada grupo, nas quais você participa ativamente). Mas além dessas 3, você pode ter uma outra extra, que pode ser de qualquer um dos grupos.
Meus core CASes são: Creativity - MUN (Model of United Nations); Action - Hiking; Service - Clowning; Extra oficial: Photography.
Mas além desses, estarei participando de outras CASes como Debate Club, World Cinema, International Cooking (só pra comer, óbvio), Political Visions and Global Trends, Yoga, Ballroom Dance, etc.
Ontem, tive a primeira sessão de Political Visions and Global Trends que foi bastante interessante. É um novo CAS, então, além do líder, Jacob (Alemanha), todos os participantes são primeiros anos. Discutimos sobre qual é o problema social/político que precisa ser resolvido com mais urgência no mundo atual. Não chegamos a nenhum conclusão, mas decidimos discutir sobre a desigualdade no planeta. Falamos sobre o "Gini-index" que basicamente é uma forma que os economistas arranjaram de medir (sempre estatísticas...) a desigualdade no mundo. E, com muito orgulho (que fique bem clara a ironia), o Brasil é o país mais desigual do mundo.
Hoje, começaram dois dos meus core CASes: MUN e Clowning. MUN foi um tanto quanto interessante. Quinten (Holanda), Emina (BiH), Gautier (França) e Colleen (EUA) são os segundos anos que, não só lideram o CAS, mas também são os "chairs" do nosso modelo das Nações Unidas. Eles explicaram um pouco sobre o funcionamento da coisa, mas é um tanto quanto complicado e formal. Tivemos um momento em que tivemos que escrever um pequeno discurso de abertura, falando sobre a posição do país que cada um de nós representava na sessão. O interessante é que você precisa ir atrás de informação, dar um Google (ainda bem que isso existe!!) e descobrir o que o país que você representa acha do assunto da sessão. No caso de hoje, foi sobre Roma People (algo que eu nunca tinha ouvido falar antes de vir pra cá, mas que é um assunto muito importante na Europa). E não, Roma não são ciganos (é politicamente incorreto chamá-los de ciganos). Eu e Tamar (que estava sem notebook e se juntou a mim) tivemos que representar a Bósnia-Herzegovina. Foi um tanto quanto interessante preparar um mini discurso num inglês formal e depois lê-lo para todos na sala.
Depois do jantar, tive a primeira sessão de Clowning. Embora essa atividade pareça palhaça (ha ha), na verdade é a melhor, porque nós passamos por todas as instituições nas quais os alunos do UWCiM trabalham e não precisamos falar em bósnio/croata/sérvio, basta falar a língua do seu Clown. Os líderes dessa atividade são Celia e Oliver, ambos espanhois, mas nenhum deles participou da sessão de hoje. Em vez deles, Noga (Israel), Lucie (Alemanha) e Veronika (República Tcheca - minha roommate) foram os líderes e nos apresentaram os 7 clowns. Foi simplesmente incrível. Além de me divertir muito, todo mundo se soltou muito e já deu pra perceber que somos um grupo maravilhoso! Basicamente somos eu, Margherita (Itália), Bo (Holanda), Amber (Bélgica), Bebo (Egito), Anna (Holanda) e as três líderes. Começaremos a preparar esquetes para o Festival de Arte de Rua que vai acontecer na semana do dia 19 ao dia 23 de setembro, para a comemoração dos 50 anos do UWC (fundação do primeiro colégio: Atlantic College, em Wales). Tenho a sensação de que vai ser animal!
Por acaso, a Claudia, minha terceiro ano espanhola, deixou uma diabolô como herança pra Celia, minha segundo ano da Espanha. Mas essa segunda não sabe fazer absolutamente nada de malabarismo e me deu o diabolô!! Vou poder usar na minha esquete (já fui requisitada para fazê-lo) e poder matar o tempo na frente de Musala.

Tenho andado muito por aí com novas pessoas. Não tenho nenhuma aula com Bengisu e Markéta, então quase nunca nos encontramos durante o dia. Nem mesmo nossos free blocks são comuns, então sempre nos juntamos no quarto de uma das três depois do check-in, com canecas, fervedor elétrico da Marke e chás turcos! Tenho passado meus dias com pessoas bem diferentes, mas principalmente com Tamar (Israel), , Mário (Espanha), Maud (Itália/França), Aurelia (China/Alemanha/Indonésia), Yuval (Israel), Filip (BiH) e Marija (BiH). Falando nesses sete co-years, hoje fomos tomar café depois da (do?) MUN e tivemos uma discussão incrível sobre o exército em Israel: sobre o que significa participar de um exército, se é um ato de nacionalismo ou não; e também sobre o que significa estar aqui: representamos nossos países, nossas culturas ou somente nós mesmos? Será que Aurelia representa China, Alemanha E Indonésia? Se não, então porque estamos sempre tirando fotos com as nossas bandeiras, como se fossemos patriotas e nacionalistas? Complicado, com certeza. E Yuval ouviu muito, porque todos nós não concordamos com a decisão dele de ir pro exército enquanto ele pode fazer trabalho voluntário no lugar.
Também sempre consigo passar um tempinho do meu dia, geralmente depois do jantar, com as tão queridas Cristina e Toam, que andam sempre grudadas. Divirto-me muito com elas e a melhor parte é que podemos ter conversas muito sérias e conversas muito brincalhonas. Ontem mesmo tive uma reflexão muito boa com elas sobre esse lugar, sobre as pessoas, sobre a vida aqui. Principalmente quanto aos aspectos negativos: a separação entre internationals e locals, a separação em grupinhos, a divisão evidente entre moradores das duas residências, a eterna e irritante fofoca... Mas o que eu mais sinto é que muita gente é pouco tolerante aqui. Não consegue viver com a vulgaridade de uma pessoa ou com a necessidade de silêncio de outra. A vida numa residência estudantil não é nada fácil, mas tem a ver com harmonia e respeito, principalmente. Mas é sempre muito bom ficar no quarto dos outros, poder passar tempo com pessoas tão diferentes. E os dias aqui são tão intensos...
Ontem, a primeiro ano do Bebo chegou. Lushik é de Cairo e é muito simpática. Passamos um tempinho juntas ontem e um tempão juntas hoje. Já gostei dela logo de cara! Parece que vamos nos dar muito bem. E essa é a coisa da intensidade... Parece que ela está aqui desde o começo (mesmo que ela não conheça os lugares em Mostar ainda e eu esteja mostrando várias coisas pra ela). Amanhã ela vai cozinhar uma sobremesa egípcia pra mim! Can't wait!

aquele momento em que...#3

...você está madrugando, preparando sua apresentação de História pra manhã seguinte, e, folheando o seu livro, você lê títulos como "Why did a crisis arise over Bosnia in 1908-1909?" e "The annexation of Bosnia-Herzegovina" e se dá conta de que você está bem aí, onde a Primeira Guerra Mundial explodiu.

domingo, 9 de setembro de 2012

finalmente being productive!

Hoje eu finalmente tive um dia produtivo! Aqui todo mundo fala que quer ter dias produtivos, fazer alguma das lições, milhões de trabalhos ou ler umas páginas daquele livro de Self-Taugh. Mas ninguém realmente leva a produção tão a sério. Exceto pelos locais, como sempre... E algumas exceções de internacionais, principalmente aqueles que tem alguma pressão vinda de casa (como a Bengisu, cujos pais vão mandá-la embora se ela tirar abaixo de 5 de 7 em qualquer matéria).
Mas hoje, graças à nossa querida diretora, Valentina, fizemos alguma coisa útil. Foi o dia de um movimento internacional chamada "Let's Do It" que foi organizado basicamente para que as pessoas se mobilizassem e limpassem a sua cidade. Então fomos ao Partisans Graveyard, que é um memorial dos partidários iugoslávios, vestimos luvas, pegamos sacos de lixo e saímos coletando todo tipo de coisa que você possa imaginar. Principalmente garrafas de vinho e de cerveja, mas também secadores de cabelo, roupas, televisões... Mas o que mais me impressionou foi que, nos matinhos (e há vários), tem gente morando lá. Pessoas sem teto. E aqui tem muitos, principalmente no lado bosniak da cidade, que é muito mais pobre.
A sujeira e as pessoas em condição de rua me fizeram lembrar de uma coisa: home. E isso me deixa irritada.
Estar aqui e achar que posso fazer alguma coisa me deixa irritada. Não deveria eu estar na minha própria cidade, tentando melhor a situação por lá?!
Mesmo tendo um dia produtivo, você se sente inútil. Pelo menos eu pude passar a maior parte da minha tarde na companhia de Saffron (UK). O quarto dela também é é o quarto da Markéta (República Tcheca) e da Rosinha (tradução literal do nome dessa encantadora bósnia). Eu passo a maior parte do tempo naquele quarto, porque o meu fica insuportavelmente quente durante todo o dia.
Amanhã vamos ter American Dinner!! Isso significa eu e outros 5 estadunidenses, mas pra mim está ótimo, desde que as pessoas (isso inclui os próprios estadunidenses) compreendam que eu sou americana também.
Ah, e aparentemente eu e Bengisu somos local-wannabes, porque passamos a maior parte do tempo com os locais Filip, Katarina Kuzman, Katarina Lalovic e Marija. Aparentemente (outra vez), isso nunca aconteceu na história do UWCiM, porque sempre são os locais que são international-wannabes. Mas OK, por mim está ótimo. A verdade é que não importa de onde as pessoas que você convive são, porque estamos todos aqui juntos, vivendo a mesma experiência. E é ótimo, porque eu acabo aprendendo várias frases e palavras na língua deles. Adoro repetir o que eles dizem e a gente sempre acaba se divertindo com isso.

PS: Quando eu estava doente, a Liza (EUA) veio no meu quarto me visitar e me deixou completamente feliz quando ela estava olhando as fotos na minha parede e disse que o Chico Buarque é maravilhoso!

quinta-feira, 6 de setembro de 2012

memórias de um dia embaçado

A espera de que o calor passe. O suor constante da madrugada por conta de uma febre incerta. A perturbante e constante alteração de sonhos, de situações, de pessoas dentro da sua cabeça. O estômago remexendo-se e mexendo-se, gritando em desespero "não quero comida!!!".
A esperança de acordar melhor na manhã seguinte... Uma colega de quarto bósnia completamente atenciosa, com seu chá de menta (e seu milagroso fervedor de água elétrico). Presentei-a com um doce de leite (Pingo) como agradecimento. Mas não torna nada melhor. 
A melhoria nem mesmo vem com pessoas vindo me visitar e me fazendo involuntariamente sorrir. Querendo me manter acordada, eu mesma, mas parece impossível. Ganhei uvas, pão com recheio de chocolate, salada, e um almoço completo: frango (pra variar...), batatas assadas e pão. São pequenos gestos que tornam pessoas, amigos.
E são horas e horas de sono que me deixam mais e mais cansada. Nunca é bom estar doente. Principalmente longe de casa. Sofá e televisão cairiam muito bem agora.

quarta-feira, 5 de setembro de 2012

gênero e guerra

Depois de 5 anos de aula de inglês, finalmente achei uma decente. English A - Language&Literature com certeza é melhor do que qualquer aula de inglês que eu já tive. Na segunda aula, tivemos a oportunidade de discutir algo impressionante: a forma como as relações entre gêneros e entre as pessoas afeta a construção de uma língua. Em inglês, por exemplo, "chairman" não tem uma versão em feminino. E "mistress" é tanto a versão masculina de "mister" quanto "amante". Enfim, tivemos uma discussão muito interessante e depois Sara (França), Tamar (Israel), Bo (Holanda) e eu falamos como era essa diferença de pronomes de tratamento nas nossas próprias línguas. Na verdade, a Lisa, nossa professora, realmente estudou sobre os os gêneros na gramática, o que torna a coisa ainda mais interessante. Além disso tive a oportunidade de aprender novas palavras pro meu vocabulário (engraçado, mas a Erika, dos EUA, também não conhecia as tais palavras).
A aula de história... Uau, fiquei com medo de quase dormir outra vez (como na aula anterior). Mas a aula foi maravilhosa. Ficamos discutindo sobre o que Guerra significa, por quais motivos ela pode acontecer. Eu quase falei pra Pauline que, na minha opinião (sim, sou aprendiz de Claudia), quase todas as guerras acontecem por motivos econômicos, mas resolvi ficar na minha. Nossa discussão incluiu a Guerra Civil Espanhola com curiosidades exclusivamente contadas por Carme (leia-se: Carma), de Barcelona, sobre os resquícios da Guerra e as divisões claras entre as famílias por conta dos "lados" escolhidos por seus antepassados. Também falamos sobre as guerrillas na América Latina e pude falar um pouquinho sobre a Ditadura Militar no Brasil.
Discutimos o significado da frase de Clausewitz "War is nothing more than the continuation of politics by other means." ("A guerra não é nada além da continuação da política por outros meios"). O engraçado é que essa frase pode ter duas interpretações: uma delas (pra mim é a mais óbvia) é a de que os seres humanos, quando não conseguem resolver as coisas através da conversa, da negociação, partem pra guerra, pra força; a outra é que a guerra e a política tem o mesmo objetivo, ou seja, optar pela guerra não muda o objetivo. Os fins não mudam, só os meios. E essa discussão levou pra outras perguntas: "o uso da violência é algo natural?" "a guerra faz parte da experiência humana?" "vamos sobreviver à WWIII ou as bombas nucleares vão matar toda a nossa espécie?".

distâncias e um pouco de estudo

Distância entre São Paulo e Mostar: 9929 km
Distância entre Cologne e Mostar: 1176 km
A distância entre Alemanha e Bósnia&Herzegovina não é nada comparada à distância da minha cidade natal. Todo mundo aqui ficou em choque quando eu falei que a minha tia, Dana, vinha me visitar, passar um dia comigo. "She came all the way from Brazil?!". Sim, ela veio. Porque ela precisava buscar uma medula (sim, ela trabalha no GRAACC e faz transplante de medula) em Cologne, Alemanha.
A Fernanda, afilhada da Dana (que eu falei pra todo mundo que era minha cousin, pra simplificar as coisas), veio de Londres pra passar o sábado aqui também. Encontrei elas na frente do Bristol, um hotel super bonitinho que fica do lado da ponte que é próxima de Musala, e fomos passear pela Old Town. Entramos numa mesquita e subimos até o topo da torre (com um pouco de dificuldade...), de onde tivemos uma vista maravilhosa da Stari Mostar e da cidade inteira (fotos abaixo)!



Levei elas até o topo do Old Bank, de onde tivemos outra vista maravilhosa, e depois pra Old Men's pra tomar um limonada (a Dana adorou que eu falei "três limonadas, por favor" em bósnio). Tive que deixá-las pra ir pra minha tutor group meeting e encontrei elas mais tarde pra jantarmos.
Fomos num restaurante super simpático na Old Town, na beira do rio, com uma vista maravilhosa para a Stari Mostar. Comemos um prato de "degustação" de comidas típicas: pimentão recheado, um tipo de coalhada, um tipo de charutinho de uva... Comida muito boa!
Foi ótimo passar o dia com elas. Foi ótimo e difícil falar português. Foi ótimo perceber que, mesmo tendo passado apenas duas semanas aqui, eu posso realmente ser algo como uma guia turística pra todos os familiares e amigos que quiserem me visitar (venham!!). A cidade foi aprovada por Fe e Dana. Pena que elas só passaram uma tarde aqui... Foram embora no domingo logo cedo.


Gimnasium Mostar e Spanish Square - vista do Old Bank
Agora estou no Spanish Room (ou Study Room), porque é E block e eu não tenho esse! Teve double H block hoje cedo e eu também não tenho esse. Ou seja, acordei às 9h e tive uma aula de Matemática às 10h com duração de 55 min. Ah, e foi completamente ridícula. Ela deu duas tabelas para que desenhássemos o gráfico e descobríssemos a função de segundo grau. A aula inteira foi isso. E me surpreendeu que a maioria das pessoas na minha classe não aprenderam isso ainda... Mas tudo bem, se for fácil assim, menos trabalho.
Hoje à tarde tenho English A (medinho...) e double block de History. Ontem, a aula de inglês foi divertida. A professora, Lisa, é irlandesa (com sotaque britânico) e super simpática. Os livros que ela escolheu pra gente ler parecem ser muito bons (um deles é "1984"!). Mas admito que me dá muito medo fazer English A (o "A" significa que é minha língua materna) em HL. Tenho a impressão de que vou ter que me esforçar bastante. Mas tudo bem, não é como se eu não gostasse de línguas.
A aula de History ontem foi péssima. Ela deu um breve resumo da História Moderna, porque nós 5 falamos que não tivemos nem metade da História Moderna. Mas foi um péssimo resumo e eu estava absurdamente cansada, quase dormi. Sabe quando você não consegue ficar com os olhos abertos e eles começam a fechar sem que você perceba e depois fica super difícil de abri-los? Pois é... Essa foi a ótima impressão que eu passei na minha segunda aula com a Pauline.
Peace and Conflicts Studies foi incrível!!! O Dženan (leia-se algo como Dgena) é muuuito legal. E a melhor notícia é que não teremos livros pra essa matéria. Basicamente vamos ler vários artigos, matérias, coisas de atualidades e textos teóricos. Vai ser uma matéria incrível! O professor nos deu um papel com todo o syllabus e, UAU, vai ser animal!

Pixação no Old Bank
PS: FINALMENTE CHUVA!

segunda-feira, 3 de setembro de 2012

(outro) começo

Primeiro dia de aula. Depois de quase duas semanas aqui (que parecem meses!), as aulas infelizmente começaram.
Temos 7 blocks (horários de aula) por dia. A organização é bem mais complexa do que qualquer um possa imaginar. Existem blocks de A a H, mas ninguém tem todos os blocks (ainda bem que free blocks existem!).
Toda segunda-feira nós temos ou Assembly (Assembleia do colégio inteiro) ou Tutor Meetings. A Assembly hoje foi basicamente apresentações sobre Summer Schools das quais segundos anos participaram. Achei muito interessante, quem sabe eu não apply pra alguma ano que vem...
Logo depois, eu tive double block de Math. Meu Deus, o que foi aquilo..... Sem comentários. Juro que vou tentar dar uma chance pra professora (que tem um inglês horrível com sotaque austríaco e nunca ensinou o IB), mas se ela for tão ruim quanto parece, eu vou trocar pra Studies, com certeza (eu estava pensando em fazer HL, mas ela também ensina HL....). Pelo menos Mia, a professora de Math Studies e também Miss Croacia, está a muito tempo aqui e todo mundo gosta muito dela. De qualquer jeito, a aula de matemática foi ridícula e eu me senti ridícula porque os dois meses e meio de férias me fizeram esquecer absolutamente tudo relacionado a números, equações e funções.
A aula seguinte foi History HL. Sim, nós somos 5 garotas (e seremos só 4, porque a Marija provavelmente vai trocar pra SL) em uma sala de aula. Somos eu, Marija (BiH), Maud (França), Sara (França) e Carme (Espanha). A Polinne é a nossa super fofa professora francesa que se formou na Sciences Po (!!!). Os segundos anos falam que depois de algumas aulas a gente vai começar a odiá-la, mas, sinceramente, ela parece uma pessoa incrível. Só que ela é bem rígida. Deixou bem claro que teremos muitas redações pra escrever, muitos seminários e pesquisas. Mas é History.... Eu vou amar. Ainda bem que eu tenho a Celia (2nd - Espanha) pra me animar em relação à Pauline.
Tive almoço. A canteen tava insuportavelmente lotada e barulhenta. Eu e Toam comemos super rápido pra podermos escapar daquela barulheira. Tive um free block e fui tomar um café com Bo e Jochem (Holanda) no Jump Jump , onde encontramos Aurelia (Alemanha), Lukas (Alemanha), Sijull (Alemanha), Cristina (Austria) e Maud (França).
A melhor parte do dia com certeza foi double block de Biology HL. Os meus colegas nessa aula são muito legais. Sara e Bo estão comigo, assim como as duas Katarinas (BiH), Max (Austria), Uri (Israel) e outros. A professora, Selma, é bem séria, mas ela parece ser muito boa. Ela assustou-nos um pouco, falando que Biology HL é uma matéria muito exigente e que requere muito esforço. Mas eu sei que ela só quer se livrar de estudantes preguiçosos. Além do mais, pelo que ela explicou, não há muita diferença entre HL e SL... Mas ela mostrou todo o nosso syllabus e eu fiquei fascinada! Estou muito animada com Biologia. E fiquei muito feliz quando ela deu um teste pra gente se avaliar, ter certeza de que a gente tem base suficiente no assunto pra poder estar no nível alto. Eu acertei todas as imagens. Ela mostrou imagens de células, moléculas e processos bioquímicos. Embora eu não lembrasse os nomes do Calvin Cycle e do Krebs Cycle, eu sabia que faziam parte da fotossíntese e da respiração. A maioria dos meus colegas não sabia vários. Graças ao BioMar e à BioSuzi eu sabia!
Amanhã, eu tenho todos os blocks da manhã, mas nenhum à tarde. Tenho Biology, History, English A e Peace and Conflicts Studies.
Tudo certo. Por enquanto o IB não parece um big deal. Talvez as pessoas exagerem muito. A Dana, minha tia, durante a visita dela nesse último final de semana (postarei sobre isso logo logo), disse que não pode ser mais difícil do que o Santa Cruz (?). Tenho minhas dúvidas. Mas a grande verdade é que basta você escolher matérias que você realmente gosta. E daí você não vai se deixar assustar por 3 livros que parecem tijolos de History.

PS1: A Sara (França) está em 5 aulas comigo!!! Ela é uma fofa, fiquei feliz.
PS2: SL = Standard Level, HL = Higher Level

sábado, 1 de setembro de 2012

recepção de um hotel imaginário e arrepios

Ontem, todos os primeiros e segundos anos foram passar o dia em Kravice. Basicamente, são as cachoeiras mais próximas de Mostar. São lindas. Não tanto as quedas d'água (digamos que o meu padrão de cachoeiras bonitas resume-se à Chapada Diamantina...), mas a cor da água em si é impressionante.

Foi muito divertido. O dia estava tão quente e foi maravilhoso entrar naquela água gelada.
Perdi a conta de com quantas pessoas eu fui tomar um café ou um sorvete nos barzinhos de lá. Mas a parte mais divertida foi quando eu tive oportunidade de falar português. Markus (Áustria/ República Tcheca) teve a brilhante ideia de jogar o seguinte jogo: uma pessoa é um hóspede de um hotel e está precisando da ajuda do gerente. Quem assiste o jogo escolhe, sem que o "gerente" saiba, algum problema que o hóspede tem. Só que tem um pequeno detalhe: você só pode se expressar na sua própria língua!
No meu caso, joguei com Betka (Eslováquia - 2nd year). O meu problema era que o meu vizinho tinha atirado na parede com uma arma e agora ele mandava meias com cartas de amor pra mim pelo buraco. Claro que foi hilário. A Betka não entendia nada que eu falava, mas ela ficava respondendo e eu não entendia absolutamente nada! Quando eu fiz um gesto de arma, ela falou (em eslovaco, claro) "Você gosta de armas? Eu sei um ótimo lugar pra comprar armas!" e o Filip (BiH) começou a chorar de rir e eu não entendendo nada. A Betka não parava de repetir "buraco!".
Mais uma vez, isso acontece no UWC... e o melhor (ou pior, depende do ponto de vista) é que eu sou a única falante de português por aqui (porque o Han-Sol saber falar "caralho", "eu falo português" e "filho da puta" não conta....)

Tamar (Israel), Yuval (Israel), eu e Mario (Espanha)




Antes de ontem, tive um dos momentos mais incríveis aqui. Nossos segundos anos preparam a Cerimônia de Abertura (Opening Cerimony). Foi absurdamente linda. Não tem como descrever a emoção de ouvir Noga (Israel) cantando Don't Upset the Rhythm by Noisettes e Us by Regina Spektor. Caramba, eu fiquei completamente arrepiada. A Lucie (Alemanha) tocando violino, a Peya (Namibia) dançando melhor do que qualquer pessoa que eu conheço e Myriel (Áustria) tocando violão com a bela voz da israelita trouxeram lágrimas pros olhos de muitos dos meus co-years. Óbvio que os esquetes foram fantásticos! Principalmente o Quinten (Holanda) interpretando o próprio firstie, Jochem, com um boné e agindo como se fosse o cara mais gostoso do mundo (não que o Jochem realmente faça isso, mas a gente tira muito sarro dele). Depois Franjo (BiH) falando sobre a comida da escola, que é sempre frango... E óbvio, Gwenno (País de Gales) com a sua fantástica paródia de I Will Survive (as long as I have coffee, I know I'll stay alive) sobre o IB. Dei boas risadas.
A cerimônia foi incrível. As palavras de Valentina, a diretora do colégio, também foram muito belas. Ela abriu mais um ano desse colégio incrível. Nós somos a 7ª geração de um colégio que era pra ter durado só três anos e lutou muito pra estar como está agora. Óbvio que não é perfeito (nenhum colégio é perfeito), mas é perfeito do seu jeitinho.


Lucie (Alemanha), Noga (Israel), Myriel (Austria) e Peya (Namibia)
Franjo (BiH), Gwenno (Wales) e Damir (BiH)